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Bolsonaro manda Cid distribuir droga proibida contra covid, diz PF

Trata-se da proxalutamida, um medicamento produzido na China para testes no combate a determinados tipos de câncer.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mandou o tenente-coronel Mauro Cid distribuir a aliados um medicamento de uso proibido no Brasil durante a pandemia de covid-19. A informação foi publicada nesta quarta-feira em reportagem do diário conservador paulistano O Estado de S.Paulo. Até agora, o produto disseminado não tem registro na Anvisa e permanece em fase de testes ao redor do mundo.

Trata-se da proxalutamida, um medicamento produzido na China para testes no combate a determinados tipos de câncer. A reportagem lembra que, em 2021, bolsonaristas começaram a apoiar, com base em informações falsas, o uso desse remédio para o combate à covid-19.

As informações foram extraídas pela Polícia Federal (PF) do telefone celular de Mauro Cid usado em 2021 e mostram que o então ajudante de ordens da Presidência da República conseguiu obter uma carga desse medicamento. O então presidente “acertou diretamente com Jair Bolsonaro a entrega do remédio para diversos aliados”. Procuradas, as defesas de Bolsonaro e de Cid não quiseram se manifestar sobre o assunto.

Pena

A reportagem traz reproduções impressas e áudios da troca de mensagens entre Bolsonaro e Cide indica que os diálogos “revelam, pela primeira vez, que Bolsonaro e Mauro Cid também estavam envolvidos na distribuição irregular desse medicamento”.

Investigadores ouvidos pela reportagem sob anonimato afirmam que, como se tratava de uma substância proibida no Brasil, a sua distribuição poderia caracterizar o crime do artigo 273 do Código Penal, que prevê uma pena de 10 a 15 anos de reclusão para quem vende ou entrega medicamentos sem registro da instância de vigilância sanitária competente.

A operação também teve a participação do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, atual deputado federal peloPL-RJ que, segundo a reportagem, preferiu não se manifestar.

Sintomas

Os diálogos de Mauro Cid mostram que Pazuello apoiou, junto a Bolsonaro, o uso da proxalutamida como um medicamento de combate aos sintomas da covid-19, mesmo quando já não ocupava mais o cargo de ministro da Saúde.

Em um dos diálogos, Mauro Cid perguntou a Pazuello se a Comissão Nacional deÉtica em Pesquisa (Conep) tinha aprovado o uso do medicamento e se era possível determinar a sua compra pública. O general respondeu que a comissão havia pedido correções e ainda iria reavaliar o assunto.

Apesar da declaração do ex-ministro, as ações que levaram à suspensão do uso da substância inclusive para pesquisa foram motivadas por questões éticas verificadas pela Conep e pela expansão ilegal dos testes com a proxalutamida para o Rio Grande do Sul e o Amazonas, especificamente em Manaus.