Indiciado pela Polícia Federal na investigação sobre um esquema de espionagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) feito contra opositores do bolsonarismo, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) resolveu atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes por negar a prisão domiciliar para Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.
Segundo o parlamentar, “não se trata de hipótese, exagero retórico ou ‘narrativa’”. “Já vimos o desfecho concreto desse método. Já houve vítima fatal. A morte de Clezão não foi um acidente nem uma fatalidade imprevisível – foi consequência direta de um sistema que normalizou a arbitrariedade, desprezou alertas, ignorou a dignidade humana e operou sem freios institucionais”, afirmou o vereador, indiciado pela PF em junho de 2025. A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa o caso do parlamentar.
Ao escrever o nome “Clezão”, Carlos Bolsonaro fez referência a Cleriston Pereira da Cunha, de 46 anos, morreu em 20 de dezembro de 2023 devido a um mal súbito, no Complexo Penitenciário da Papuda (DF). A prisão dele foi resultado das investigações do 8 de janeiro daquele ano, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), e fizeram atos golpistas. Antes de falecer, o bolsonarista não havia sido julgado pelo STF.
Em 24 de dezembro, Bolsonaro foi internado no dia 24 de dezembro em Brasília (DF). Nessa quarta-feira (31), ele foi submetido a uma endoscopia. Ele foi diagnosticado com esofagite e com gastrite.
Segundo Carlos Bolsonaro, “está em curso no Brasil não é a aplicação rigorosa da lei, mas um exercício reiterado de abuso de poder, concentrado nas mãos de um ministro que ultrapassou, há muito tempo, qualquer limite aceitável em um Estado de Direito”. “As decisões tomadas por esse sujeito não apenas violam garantias constitucionais básicas, como expõem deliberadamente Jair Bolsonaro a riscos reais, físicos e humanos”, continuou.
“Qualquer tentativa de relativizar o que está acontecendo é desonestidade intelectual. A pergunta correta não é se isso pode terminar mal, mas quando e com que custo. Que país restará se mais uma injustiça dessa magnitude resultar em mais uma tragédia? Alguém, em sã consciência, acredita que haverá pacificação nacional após eventos diários desse porte?”, complementou.
Na avaliação feita pelo vereador, “a tensão institucional não está “alta”; ela está à beira do colapso”. “Persistir nessa escalada autoritária não fortalece a democracia – corrói sua legitimidade, implode a confiança pública e empurra o país para um cenário de instabilidade profunda. O silêncio cúmplice e a omissão covarde de setores que deveriam zelar pela Constituição apenas agravam esse quadro”, postou.
“Interromper imediatamente essa perseguição política não é favor, não é concessão e não é ideologia – é dever institucional. O Brasil não pode ser governado por decisões personalistas, sem contraditório efetivo, sem limites e sem responsabilidade. Ou se restaura agora o império da lei, com equilíbrio, garantias e freios reais ao poder, ou o país caminhará conscientemente para um ponto cujas consequências ninguém poderá fingir que não previu. Mantenha, Pai!”.