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Lula avalia convite para “Conselho de paz” sobre Gaza proposto por Trump

Presidente analisa objetivos, composição e possíveis custos antes de decidir sobre participação brasileira em iniciativa dos Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não tomou uma decisão sobre o convite para que o Brasil integre um conselho internacional voltado à busca de uma solução para a guerra na Faixa de Gaza. A avaliação envolve uma série de critérios políticos e diplomáticos, que incluem desde os objetivos concretos do grupo até os impactos financeiros e estratégicos de uma eventual participação brasileira.

Segundo informações divulgadas pelo portal G1, o governo brasileiro considera essencial esclarecer quais países fariam parte do conselho, qual a posição dessas nações em relação ao conflito e se as decisões adotadas poderão gerar custos ao Brasil. Diplomatas ouvidos pelo governo afirmam que o cenário ainda é cercado de incertezas. “Nada disso está claro”, disse um diplomata a par das discussões.

De acordo com um interlocutor, antes de qualquer definição, o Brasil precisa dialogar com países que tenham peso político e influência direta sobre o conflito no Oriente Médio. “Trocar ideias com outros países relevantes na questão, é assim que se constrói uma posição em questão de tamanha relevância”, afirmou o diplomata, destacando a necessidade de coordenação internacional.

A proposta do chamado “Conselho de Paz” foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como parte da segunda fase de um plano apoiado por Washington para encerrar a guerra em Gaza. Ao divulgar a iniciativa, Trump afirmou nas redes sociais: “Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”.

Segundo a Casa Branca, o conselho deverá debater temas como fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução do território, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital internacional. A proposta, no entanto, ainda carece de detalhamento, o que reforça a cautela do governo brasileiro.

A discussão sobre a adesão do Brasil ocorre em um contexto de posições públicas firmes do presidente Lula sobre o conflito. Em discursos no país e no exterior, o chefe do Executivo acusou o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de praticar atos de genocídio contra o povo palestino. Segundo Lula, Israel pôs em mprática uma tentativa de “extermínio do povo palestino” e de “aniquilamento de seu sonho de nação”.

O chanceler Mauro Vieira também tem adotado um tom crítico em relação às ações militares de Israel em Gaza. Ele classificou a ofensiva como uma “carnificina” e afirmou que, embora seja legítimo Israel buscar a defesa de sua população, os ataques contra civis palestinos “já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade”.

Diferentemente dos Estados Unidos e de Israel, o Brasil reconhece oficialmente o Estado da Palestina.