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André Mendonça investiga se diretor-geral da PF obstruiu justiça no caso INSS

Uma das principais investigações em andamento no país gerou uma grave crise institucional entre líderes dos órgãos responsáveis pelo processo.

Há mais de um mês, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que cuida do caso, ordenou que a Polícia Federal lhe enviasse todos os documentos brutos relacionados à investigação da Farra do INSS, revelada pelo Metrópoles.

André Mendonça também exigiu que qualquer mudança na equipe que investiga o caso fosse previamente aprovada por ele.

Um dos escândalos mais notórios atualmente, as fraudes no INSS impactaram o país pelo número de vítimas, o envolvimento de figuras poderosas e o montante de dinheiro desviado de aposentados. Entre os investigados está Lulinha, filho do presidente da República.

A decisão do ministro André Mendonça, porém, não foi bem recebida na PF. Por lei, o delegado de polícia tem autonomia para conduzir a investigação.

A PF argumenta que o procedimento padrão seria analisar documentos apreendidos, dados extraídos de celulares, elaborar um relatório e enviá-lo ao gabinete do ministro. A PF também mantém uma cadeia de custódia das provas.

A decisão do ministro visa dois objetivos. O primeiro é preservar a autonomia da polícia federal e evitar interferências políticas ou seletividade nas investigações. Além disso, garantir o acesso à defesa dos elementos já produzidos e das diligências encerradas, conforme a Súmula Vinculante 14 do Tribunal.

O ministro foi informado de que depoimentos já colhidos não estavam sendo anexados aos autos, assim como os relatórios periódicos sobre o andamento das investigações, conforme determinado pelo relator.

A PF tem resistido em cumprir a ordem de Mendonça. A coluna apurou que o ministro reagiu e ordenou a apuração da questão, que pode resultar em desobediência processual e obstrução de justiça.

As medidas de Mendonça chegaram ao conhecimento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que manteve sua posição de não compartilhar os dados e levou a disputa para a Advocacia-Geral da União (AGU). A interlocutores, o diretor-geral da PF afirma que só falta chegar a ordem de prisão.

O caso se transformou em um problema. O chefe da AGU, ministro Jorge Messias, é próximo de André Mendonça e contou com o apoio dele em sua indicação ao Supremo, posteriormente rejeitada pelo Senado.

Lula prometeu que, se reeleito, repetirá a indicação. Nesse cenário, criar um atrito com um amigo e possível futuro colega de tribunal não é algo que Messias deseja. O ministro da AGU, inclusive, está de férias.

O episódio também causou desapontamento no Palácio do Planalto com a postura do ministro da Justiça, Wellington César Lima, que se manteve neutro diante do conflito. Para delegados da PF, como chefe da Polícia, o ministro deveria ter defendido a autonomia da PF para conduzir as investigações.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também evitou se envolver na crise. De um lado, avisou que não pretende questionar a ordem do ministro André Mendonça. De outro, sinalizou que não concorda com pressão sobre o diretor-geral da PF.

O conflito decorre de uma divergência de entendimento. Por um lado, Andrei Rodrigues questiona a determinação de Mendonça, pois o ministro não teria indicado fatos que comprovassem a atuação irregular da PF para justificar uma medida que soa para os delegados como intervenção. Por outro lado, o ministro André Mendonça tem afirmado publicamente que garantirá a qualquer custo uma investigação republicana sobre o escândalo, sem vazamentos ou interferências políticas.