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OAB-SP repudia fala de Lula de que advogado criminalista não sabe defender inocente

A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB- SP) emitiu uma nota nesta sexta-feira (31) repudiando as declarações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que “advogado criminalista não sabe defender inocente”.

A fala do presidente ocorreu durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., na noite da quinta-feira (30), após ser questionado sobre o motivo de não ter contratado um advogado criminalista em 2018, quando estava preso.

“Eu não quis contratar advogado criminalista. Quem está comigo sabe a pressão que eu sofri porque contratei o [Cristiano] Zanin, e ele não era criminalista. Aí falaram: ‘O Lula vai perder porque o Lula não tem criminalista’. Sabe por que eu não contratei criminalista? Porque eu acho que criminalista não sabe defender inocente. Criminalista defende bandido. E foi assim que eu venci. […] Minha mulher queria que eu saísse da cadeia fazendo acordo, meus filhos queriam que eu saísse . Eu falei: ‘Eu não saio’. Era uma obsessão provar minha inocência”, afirmou o presidente.

Para a OAB-SP, a opinião de Lula reflete “preconceito inaceitável quanto à função da advocacia criminal e preocupa ainda mais quando difundida pelo presidente da República”.

“O advogado criminalista não defende o crime; defende a Constituição, o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, garantias fundamentais asseguradas a todos os cidadãos. Ao reforçar esse estigma, a declaração contribui para a desinformação da sociedade e enfraquece o Estado Democrático de Direito”, disse a OAB, em nota.

Ainda no podcast, o presidente sinalizou que não deve ir aos debates de primeiro turno nas eleições deste ano.

O que diz a OAB-SP

“A Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB SP) repudia as declarações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, feitas durante participação em um podcast, ao afirmar que “advogado criminalista não sabe defender inocente. Criminalista defende bandido”.

A fala reflete um preconceito inaceitável quanto à função da advocacia criminal e preocupa ainda mais quando difundida pelo presidente da República. O advogado criminalista não defende o crime; defende a Constituição, o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, garantias fundamentais asseguradas a todos os cidadãos. Ao reforçar esse estigma, a declaração contribui para a desinformação da sociedade e enfraquece o Estado Democrático de Direito”.