O aliado do governo trumpista demonstrou revolta com as declarações do presidente brasileiro sobre os ataques dos EUA à Venezuela
Um dos conselheiros do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Jason Miller decidiu usar as redes sociais para xingar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (4), depois que o petista criticou os ataques dos EUA à Venezuela.
“Vai se f****, Lula. Agora todos nós sabemos qual é a sua posição!”, disse Miller no X ao compartilhar uma matéria sobre a fala do presidente brasileiro.
No sábado (3), Lula disse que os ataques dos EUA contra o território venzuelano abrem um “precedente extremamente perigoso”. “Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu.

Entenda
Uma alta autoridade venezuelana declarou no domingo que o governo permaneceria unido em apoio ao presidente Nicolás Maduro, cuja captura por forças dos Estados Unidos gerou forte instabilidade política no país sul-americano, que possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo.
Maduro está detido em um centro de detenção em Nova York, aguardando audiência judicial marcada para segunda-feira, sob acusações de tráfico de drogas. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou sua retirada da Venezuela no sábado e declarou que os EUA assumiriam o controle do país. No domingo, Trump participou de uma partida de golfe enquanto a crise avançava.
Apesar disso, em Caracas, as principais autoridades do governo venezuelano seguiram no comando e classificaram a ação como um sequestro. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, reforçou a coesão interna em mensagem divulgada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). “Aqui, a unidade da força revolucionária está mais do que garantida, e aqui há apenas um presidente, cujo nome é Nicolás Maduro Moros. Que ninguém caia nas provocações do inimigo”, afirmou.
As imagens de Maduro, de 63 anos, algemado e com os olhos vendados, divulgadas no sábado, causaram forte impacto na população venezuelana. Analistas apontam que a operação representa a intervenção mais controversa de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá, ocorrida há 37 anos.
Reação
Sem apresentar detalhes operacionais, o ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino, declarou à televisão estatal que o ataque dos EUA provocou a morte de militares, civis e de “uma grande parte” da equipe de segurança presidencial, “a sangue frio”. Segundo ele, as Forças Armadas foram acionadas para garantir a soberania nacional.
A vice-presidente Delcy Rodríguez, que também ocupa o cargo de ministra do Petróleo, assumiu interinamente a liderança do país com aval da Suprema Corte da Venezuela. Ainda assim, ela ressaltou que Nicolás Maduro continua sendo o presidente legítimo da nação.
Mais detalhes
A intensificação da pressão contra o governo da Venezuela teve início em agosto, quando os Estados Unidos anunciaram o aumento para US$ 50 milhões da recompensa por informações que pudessem resultar na prisão de Nicolás Maduro. Apesar da ausência de provas, a administração do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a acusar o dirigente venezuelano de ligação com o narcotráfico.
Especialistas em relações internacionais apontam que o interesse do governo Trump e de seus aliados está diretamente ligado às vastas reservas petrolíferas da Venezuela. O país possui mais de 300 bilhões de barris de petróleo, volume que corresponde a cerca de 17% das reservas existentes no mundo.
As ações militares norte-americanas provocaram reação internacional. Países da América Latina e diversas outras nações condenaram os ataques ao território venezuelano e pressionaram a Organização das Nações Unidas por providências. Diante do cenário, o Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião nesta segunda-feira (5) para discutir a ofensiva contra a Venezuela.