O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou, nesta quinta-feira (13), ter qualquer plano para impedir a reeleição do presidente Lula (PT). A negativa foi transmitida por uma fonte do órgão a jornalistas, sem que o nome de Marco Rubio fosse mencionado explicitamente na declaração oficial.
Apesar do desmentido, a linguagem escolhida por Washington não dissipou as preocupações do Planalto com a atuação do secretário de Estado de Donald Trump, em um momento em que as relações entre os dois países atravessam uma fase de crise diplomática.
Na nota transmitida, a autoridade estadunidense afirmou: “Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil. E nós temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”.
Brecha no discurso e preocupação com Rubio
A negativa formal não encerrou o debate. A expressão “eleições livres e justas” inserida na declaração dos EUA remete a formulações já utilizadas pelo governo Trump para questionar a legitimidade de pleitos em outros países, o que é interpretado como uma brecha retórica para, eventualmente, descreditar o resultado da eleição brasileira.
Vale lembrar que o sistema eleitoral brasileiro é comprovadamente seguro, conforme atesta o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo assessores de Lula, a percepção de que Rubio teria um plano contra a reeleição foi reforçada após o governo Trump divulgar um vídeo afirmando que o domínio dos EUA na América “nunca mais será questionado”.
Rubio é considerado a mente por trás da nova etapa da Doutrina Monroe, que busca o domínio estadunidense na América Latina com ameaça explícita de uso militar contra quem não cooperar, e uma das figuras centrais do segundo mandato de Donald Trump.
O posicionamento do secretário, em diversas ocasiões, tem sido abertamente inflamatório, incluindo taques diretos contra Lula.
Crise diplomática e outros fatores de tensão
O episódio se insere num quadro mais amplo de deterioração das relações bilaterais, que se aprofunda justamente às vésperas das eleições presidenciais brasileiras.
Entre os fatores que estremeceram a relação entre Brasília e Washington estão: a circulação de uma montagem que colocava Lula algemado e vendado no lugar do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro; sanções contra autoridades brasileiras, como o cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes em 2025; e sucessivos tarifaços contra o Brasil e produtos brasileiros.
A postura de Rubio, que em vários momentos trocou farpas públicas com Lula, é apontada pelo Planalto como elemento central dessa escalada.