Exu é um orixá guardião da comunicação, que faz parte das religiões originárias da África, como Candomblé e da Umbanda. É uma das entidades mais conhecidas e cultuadas pelos adeptos dessas religiões no Brasil.
Exu recebeu a missão fazer a comunicação entre os seres humanos e o plano divino e, como é uma entidade de grande importância, representa o início da comunicação. Por isso, ao iniciarem-se rituais ou trabalhos religiosos, é comum que se faça uma reverência ou oferenda especialmente para Exu.
As cores predominantes que representam a entidade, usadas em oferendas e trabalhos, são vermelho e preto.
As características de Exu
Exu tem algumas características que são típicas das reações da natureza humana e sua imagem perante os adeptos reflete proteção, justiça, paciência, força e disciplina na perseguição de objetivos. A ambiguidade e a pluralidade de sentimentos também são características humanas presentes em Exu.
Os traços de personalidade mais comuns associados a ele são: disciplina, paciência e proteção nos caminhos. O orixá é tido como um protetor fiel das pessoas que o cultuam e são agradecidas por sua proteção.
Dia da semana e data comemorativa
O dia da semana atribuído a Exu é segunda-feira e 13 de junho é seu dia comemorativo. A data faz com que, no sincretismo com a religião católica, Exu seja representado por Santo Antônio.
Oferendas a Exu
É bastante comum que as oferendas para Exu sejam feitas em cruzamentos de ruas ou outros lugares semelhantes, chamados de encruzilhadas.
O hábito se deve ao fato de que uma encruzilhada representa a conexão entre dois pontos diferentes, assim como é a conexão entre dois mundos (terreno e espiritual), função exercida por Exu.
Exu na Umbanda e no Candomblé
Exu é cultuado tanto na Umbanda, quanto no Candomblé. De modo geral, ele é mesmo nas duas religiões, sendo uma das entidades mais poderosas.
Exu Tranca Rua
O Exu Tranca Rua é cultuado principalmente por sua característica de ajudar na abertura dos caminhos desejados por aqueles que são fiéis a ele. De acordo com a prática das religiões, ele tem o poder de ajudar a vencer os obstáculos para conquistar objetivos.
Exu Caveira
Conforme a Umbanda, o Exu Caveira tem o atributo de proteção e pode ajudar as pessoas que o cultuam a livrarem-se de energias negativas.
Saiba mais sobre Exu Caveira.
Ele também pode trabalhar com auxílio aos espíritos desencarnados em seu processo evolutivo até o momento da próxima encarnação.
Conheça mais sobre a Umbanda e o Candomblé e veja o significado de Orixás.
Os filhos de Exu
Nas religiões africanas, as pessoas são atribuídas como filhas de um orixá e isso pode determinar algumas características da sua personalidade.
De acordo com essa ideia, os filhos de Exu normalmente são pessoas que tem como características mais notáveis: alegria, intensidade, carisma, senso de justiça, sensualidade e muita paixão pela vida.
História de Exu
Na história das religiões, Exu teria sido o mensageiro enviado por Deus durante o período da criação na Terra. Uma de suas tarefas seria conhecer o planeta para saber se ela era um bom lugar para seres humanos e para os orixás.
Depois de chegar à Terra, Exu teria decidido permanecer aqui e tempos depois passou a ser um orixá muito cultuado nos rituais do Candomblé e da Umbanda.
Laroye, Exu!
A expressão Laroye, Exu (ou Laroiê, Exu) é usada como saudação à entidade e pode ser traduzida como “Salve, mensageiro“. O uso mais comum acontece em rituais de Candomblé e Umbanda.
É originada da língua iorubá, grupo étnico africano da região da Nigéria. A língua iorubá é falada em países como Togo, Benim e Nigéria.
Diferenças entre Candomblé e Umbanda
O Candomblé e a Umbanda, apesar de suas semelhanças, apresentam muitas diferenças entre si, como origem, a relação com os orixás, rituais, o fenômeno da incorporação, entre outros.

O Candomblé veio da África, trazido ao Brasil por meio dos negros africanos escravizados. Aqui, sofreu adaptações e é considerada uma religião afro-brasileira.
Já a Umbanda é uma religião propriamente brasileira e seus fundamentos foram revelados por Zélio Fernandino de Moraes. A Umbanda é marcada pelo forte sincretismo entre catolicismo, espiritismo e
| Candomblé | ||
|---|---|---|
| Definição | Candomblé é uma religião afro-brasileira, que foi trazida pelos africanos escravizados. | Umbanda é uma religião brasileira que mescla elementos do catolicismo, espiritismo, e religiões afro-brasileiras. |
| Origem | Africana. | Brasileira. |
| Criação | No final do século XVI. | 1908. |
| Crença | Segue as leis da natureza. Suas divindades são os orixás, que teriam o papel de cuidar e equilibrar nossas energias. | Segue as leis da natureza e do plano espiritual, além dos princípios da fraternidade e da caridade. |
| Orixás | Veem os orixás como ancestrais divinos, que são os deuses da natureza e representantes de um deus criador e único. | Veem os orixás como espíritos ancestrais e a manifestação do deus único. |
| Espíritos | Os espíritos que se manifestam na terra são os Egun, almas que foram iniciadas ou não nesta religião. | Os espíritos que aparecem durante os trabalhos são de pessoas que voltam para a terra para a prática da caridade. |
| Assistência | Feita por meio da consulta com búzios. | Feita por meio do passe, uma espécie de bênção e limpeza espiritual. Ocorre por meio da conversa com espíritos, que é feita pelo intermédio de um médium incorporado. |
| Incorporação | No candomblé mais ortodoxo, não há prática de incorporação e mediunidade. As entidades apenas oferecem energia e a comunicação é feita por meio dos búzios. | Feita por meio de médiuns. |
| Exu | É visto como um orixá, um guardião e mensageiro entre o mundo material e espiritual. | Como todos os orixás, é mais um espírito que ensina os seres humanos como evoluir. |
| Abate de animais | Ocorre durante as festas dos orixás. | Não há abate de animais nos rituais. |
| Estrutura dos terreiros | Não há altares. | Há altar. |
| Cantigas | Utilizam línguas de origem africana como o iorubá ou o kimbundu. | Cantadas em português, mas podem apresentar palavras em idiomas africanos. |
| Título de quem lidera o ritual | Os homens são chamados babalorixá ou babalaô. Já as mulheres, ialorixá ou ialaorixá. | A pessoa que comanda o centro de Umbanda pode ser chamada de Pai de Santo, Mãe de Santo, Pai de Terreiro, Mãe de Terreiro ou Dirigente. |
| Número de orixás | Podem variar de 16 até 72 orixás, dependendo da casa de Candomblé. | 9 orixás (Iansã, Iemanjá, Nana Buruquê, Obaluaê / Omulú, Ogum, Oxalá, Oxossi, Oxum e Xangô). |
O Candomblé é uma religião africana que chegou ao Brasil com os negros que vieram em condição de escravos. A crença segue as leis da natureza e suas divindades são os orixás, vistos como ancestrais divinos que cuidam e equilibram nossas energias.

Diferente da Umbanda, onde a comunicação dos orixás com a terra ocorre por meio da incorporação, no Candomblé ela é feita por meio da leitura de búzios.
Umbanda
A Umbanda é uma religião brasileira que surgiu em 1908 e foi revelada por Zélio Fernandino de Moraes, natural de São Gonçalo (RJ) e mescla elementos do catolicismo, cultos africanos e do kardecismo.
A religião acredita nos orixás como espíritos ancestrais, que se comunicam com a terra por meio da incorporação de médiuns.
Os trabalhos e assistências ocorrem enquanto os espíritos estão incorporados. Durante a incorporação, alguns orixás/espíritos fazem uso do tabaco e bebida por parte dos médiuns. Outros, porém, como os espíritos das crianças, preferem doces e brinquedos.

Por outro lado, não é feito o abate de animais em cerimônias de oferenda e agradecimento.
E o que é macumba?
Apesar de o termo ser usado erroneamente por muitas pessoas, macumba é o nome de uma árvore e de um instrumento musical de percussão utilizado em religiões afro-brasileiras. Deste modo, macumbeiro é o indivíduo que toca tal instrumento.

No Brasil, a palavra “macumba” designa de forma popular e equivocada toda oferenda aos orixás. O termo correto para isto, no Candomblé, seria o “ebó” ou “padê”. Já na Umbanda seria “despacho”.
Ainda pode se referir a uma religião específica de matriz africana.
Candomblé
Candomblé é uma religião afro-brasileira em que se pratica o culto de divindades de origem africana chamadas orixás.
Assim, apesar de ter nascido na Bahia, no século XIX, o candomblé foi formado a partir de tradições religiosas africanas de povos iorubás.
Essas tradições foram trazidas ao Brasil por populações negras escravizadas vindas de países da África Ocidental, como Nigéria, Benin e Togo.
Os rituais do candomblé são realizados em locais de culto denominados terreiros, liderados por um pai ou mãe de santo. Durante as cerimônias, chamadas de toques, os participantes cantam e dançam, e os filhos-de-santo incorporam os orixás.
Boa parte dessas cerimônias seguem um calendário fixo e são feitas em homagem às divindades.
Os candomblecistas (nome que se dá aos adeptos do candomblé) dividem-se em nações, entre as quais a congo, nagô, angola, ijexá, jeje e ketu. As nações são segmentos da religião e se diferenciam entre si por seus rituais, canções e vestimentas.
O candomblé baiano não é a única religião nascida das tradições dos povos iorubás. Em Pernambuco, o culto aos orixás é chamado de xangô; no Rio Grande do Sul, de batuque; no Maranhão, de tambor-de-mina.
Esses cultos afro-brasileiros, bastante semelhantes, são genericamente chamados de “religiões dos orixás”.
Principais Orixás (divindades) do Candomblé
Os adeptos do candomblé creem que os orixás são divindades que receberam do deus supremo Olorum (ou Olodumare) a tarefa de criar e governar o mundo.
Cada orixá está associado a determinado aspecto da vida em sociedade ou elemento da natureza. O panteão iorubá é formado por centenas de orixás, embora nem todos sejam cultuados no Brasil.
Vejamos alguns dos principais orixás cultuados no candomblé:
| Orixás | Principais características |
|---|---|
| Oxalá | Conhecido como “orixá dos orixás”, foi o primeiro orixá a ser criado por Olorum. É o criador do mundo e da humanidade. Sua cor é o branco. |
| Iemanjá | Talvez a orixá mais famosa no Brasil, Iemanjá é a soberana dos mares e oceanos. Suas cores são o azul-claro e o branco. |
| Ogum | Ogum é o governante da metalurgia e da guerra. De uma forma geral, é associado ao trabalho e à luta. Cores: azul, branco e verde. |
| Oxóssi | Oxóssi é o orixá da caça, senhor das florestas, das plantas e dos animais. Sua cor é o azul-claro. |
| Oxum | Orixá das águas doces, Oxum representa a maternidade, o amor, a fertilidade e a prosperidade. Sua cor é o amarelo. |
| Exu | Exu é o orixá mensageiro, responsável pela comunicação entre os humanos e os deuses. Cores: preto e vermelho. |
| Nanã | Orixá anciã, guardiã do saber ancestral. É a dona das lamas, das quais foram feitos os seres humanos. Cores: roxo, azul, branco e lilás. |
| Iansã | Senhora dos ventos, das tempestades, dos raios e dos trovões. É também a guia dos espíritos dos mortos. Cores: marrom e vermelho. |
| Obaluaê | Também conhecido como Omulu, é o senhor das pestes. Pode gerar a doença ou curá-la (orixá curandeiro). Cores: preto, branco e vermelho. |
| Ossaim | Ossaim (ou Ossanha) é o orixá das ervas medicinais e das plantas, responsáveis pela cura. Suas cores são o verde e o branco. |
| Oxumarê | Controla as chuvas e a fertilidade da terra. É associada ao arco-íris e à serpente. É masculino e feminino ao mesmo tempo. Cores: do arco-íris. |
| Xangô | Senhor do trovão, Xangô é o orixá da justiça. Seu símbolo é o machado e suas cores são o marrom e o vermelho. |
| Logunedé | Orixá do amor e da fraternidade, Logunedé é, ao mesmo tempo, masculino (caçador) e feminino (ninfa). Cores: amarelo e azul. |
Diferença entre Candomblé e Umbanda
Ambas as religiões surgiram no Brasil e carregam em sua identidade elementos de tradições religiosas africanas. Porém, apesar das semelhanças, há muitas diferenças entre as duas religiões.
A umbanda é fruto da mistura de elementos de outras religiões, como o catolicismo e o espiritismo kardecista. Já o candomblé é mais ligado às tradições religiosas africanas.
Vejamos as principais diferenças entre as duas religiões:
| Candomblé | Umbanda |
|---|---|
| Nasceu na Bahia, no século XIX | Nasceu no Rio de Janeiro, no início do século XX |
| Nos rituais, há participação dos orixás | Nos rituais, há participação das entidades (espíritos desencarnados) |
| Formado por tradições religiosas africanas | Formada por elementos religiosos africanos, espíritas, católicos e indígenas |
| Mais vinculado à cultura africana | Mais vinculado à cultura brasileira |
| Não há sincretismo entre orixás e santos católicos | Há sincretismo entre orixás e santos católicos |
| Pratica-se o sacrifício animal | Não se pratica o sacrifício animal |
| O atendimento espiritual é feito através dos jogos de búzios ou opelé | O atendimento espiritual é feito através de médiuns incorporados |
Rituais do Candomblé
Os rituais são liderados pela mãe-de-santo ou pai-de-santo. Muitas vezes são caracterizados por danças em adoração ao orixá, que encarnam no filho ou filha de santo.
As festas e cerimônias públicas do candomblé são chamadas de toques. Ao longo do ano, várias festas são promovidas nos terreiros de candomblé, sejam as festas fixas em homenagem a algum orixá ou os rituais de iniciação.
Os toques em homenagem aos orixás geralmente iniciam pela manhã, com sacrifícios animais. O sangue do animal é ofertado ao orixá, enquanto sua carne é preparada para ser servida aos fiéis.
Depois, faz-se uma oferenda a Exu, orixá que tem o poder de abrir os caminhos. Durante a festa, os orixás são homenageados com cantos e danças, sempre ao som dos atabaques.
Há um momento em que os próprios orixás “tomam” o corpo dos seus filhos para participar da festa – fenômeno conhecido como possessão. Os rituais do candomblé fazem parte da cultura brasileira e ocorrem em todas as regiões do Brasil.