O ministro Alexandre de Moraes, do STF, perdeu a paciência nesta sexta, 17 de julho, e agendou o depoimento de Flávio Bolsonaro para 28 de julho às 14h, na Polícia Federal, após dribles do candidato.
O senador será ouvido em inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente Lula, após uma publicação feita em janeiro na rede social X. Flávio afirmou que “Lula será delatado” e o associou a crimes como tráfico internacional e lavagem de dinheiro. A PF concluiu que a postagem atribuiu falsamente crimes ao presidente.
A defesa tentou adiar o depoimento alegando compromissos da pré-campanha presidencial, mas Moraes rejeitou por falta de documentos que comprovassem impedimento. A PF já havia tentado agendar a oitiva, inclusive Moraes permitiu a participação por videoconferência, mas a defesa pediu mais tempo. Para Xande, “a Justiça é cega, mas não é tola”, e não aceita ser feito de bobo.
Após o depoimento, a manifestação de Flávio será anexada ao inquérito. A Procuradoria-Geral da República decidirá se arquiva o caso, pede novas diligências ou apresenta denúncia ao STF.
Em 7 de julho, Moraes deu dez dias para que a PF ouvisse o político. A determinação anterior de Moraes também permitia a oitiva por videoconferência. A Polícia Federal informou ao STF que a defesa pediu mais tempo e citou viagens, deslocamentos e compromissos políticos previamente agendados.
Moraes agora afirmou que a defesa não expôs comprovantes do impedimento alegado. Diante da falta de acordo, o ministro fixou diretamente o depoimento. A entrevista ocorrerá pouco mais de dois meses antes do primeiro turno das votações.