Marcando o início da programação da Campanha de Vacinação Antirrábica Animal de 2026, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), promoveu nesta terça-feira, 1º/9, um treinamento para alinhar as diretrizes operacionais e fortalecer as ações que serão desenvolvidas para atingir a meta de imunização de 282.400 animais (202.400 cães e 80.000 gatos).
O treinamento foi realizado no auditório Luiz Geraldo Pontes Teixeira, na Secretaria Municipal de Educação (Semed), das 8h às 12h, com a participação das equipes que irão atuar na campanha, entre médicos veterinários, vacinadores, tabuladores e auxiliares de campo e de base, contratados por meio de processo seletivo.
A subsecretária em exercício, de Gestão da Saúde da Semsa, Aldeniza Araújo, reforçou a importância da vacinação de cães e gatos contra a raiva para a proteção dos animais e também da população de Manaus.
“A raiva é uma zoonose viral grave, que pode ser transmitida dos animais para o ser humano. A doença acomete principalmente o sistema nervoso e é de alta letalidade, ou seja, alto índice de óbito, mas que pode ser evitada com a vacinação. É por isso que a Semsa realiza a campanha de forma anual e vem mantendo Manaus sem registro de casos de raiva humana há mais de 40 anos”, destacou a subsecretária.
Na quinta-feira, 3/9, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) Dr. Carlos Durand, que coordena as ações da campanha, iniciará o trabalho de vacinação em domicílio, com visitas de casa em casa, para imunizar cães e gatos. Para receber a vacina, o animal deverá ter no mínimo três meses de vida e apresentar boa situação de saúde.
O diretor do CCZ, Rodrigo Araújo, informa que a campanha seguirá até o dia 30 de novembro e também vai utilizar a estratégia de oferta da vacina em três postos fixos: sede do CCZ, na avenida Brasil, s/nº, bairro Compensa, zona Oeste, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, e aos sábados, das 8h às 12h; no Centro de Convivência Prefeito José Fernandes, rua Barreirinha, 14, Quadra 45, São José Operário 3, zona Leste, de segunda-feira a sábado, das 8h às 12h; e feira municipal Padre Rogério Ruvoletto, rua Samambaia, Nº 97, Santa Etelvina, zona Norte, de segunda-feira a sábado, das 8h às 12h.
“O CCZ ainda vai disponibilizar a vacina em clínicas veterinárias e consultórios parceiros para a oferta da vacina. Nesse início, teremos 20 clínicas e consultórios apoiando a campanha”, informou Rodrigo Araújo.
Processo seletivo
No planejamento das ações, a Semsa realizou processo seletivo para contratação temporária de 270 vacinadores/registradores, além de 12 auxiliares de base e campo, 5 médicos veterinários e 8 tabuladores.
De acordo com a programação do CCZ, os médicos veterinários, que foram contratados pela primeira vez no processo seletivo realizado anualmente para a campanha, irão atuar em cada um dos cinco Distritos de Saúde (Norte, Sul, Leste, Oeste e Rural).
“Com o profissional médico veterinário, as equipes de vacinadores terão um apoio a mais. Eles vão atuar como responsáveis pelo monitoramento e gerenciamento das vacinas, treinamento e fiscalização do trabalho em cada zona de Manaus, resolvendo situações técnicas quando houver necessidade”, explicou Rodrigo.
Para Jennifer Gaspar Campos, médica veterinária que ocupou uma das vagas no processo seletivo, a oportunidade de trabalhar na campanha segue a trajetória profissional no que se refere à prevenção de doenças.
“Trabalho com a prevenção desde a minha formação, também servi no Exército por seis anos e, em toda a minha trajetória de vida, sempre entendi que é melhor prevenir, principalmente em se tratando de uma doença que não tem cura, como é o caso da raiva. O trabalho na campanha antirrábica é uma nova experiência e uma oportunidade que temos que aproveitar da melhor forma”, afirmou Jennifer Campos.
Treinamento
O chefe do Núcleo de Controle Populacional Animal do CCZ, Thúlio Rocha e Silva, explicou que o treinamento abordou as questões teóricas de epidemiologia da raiva, formas de aplicação da vacina, metas da campanha, as formas de abordar a população na vacinação em domicílio, o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) e a contenção dos animais para a imunização.
“O animal não conhece o vacinador e por isso é importante que o responsável pelo cão ou gato faça a contenção, permitindo a vacinação. Amanhã, o CCZ vai repassar orientações práticas para os profissionais, com informações sobre a preparação do isopor para armazenamento da vacina, a utilização do gelo, o manuseio dos frascos e a aplicação do imunizante”, esclareceu Thúlio Rocha.
As equipes de vacinadores vão cumprir uma jornada semanal de trabalho de 36 horas, de segunda-feira a sábado, exceto feriados, atuando sempre pela parte da manhã, e estarão identificados com camisas de campanha nas visitas domiciliares.
Prevenção
A Campanha de Vacinação Antirrábica Animal é realizada anualmente em três etapas, atendendo a zona Rural Fluvial, que alcança os animais nas comunidades ribeirinhas dos rios Negro e Amazonas; a zona Rural Terrestre, com as equipes de vacinadores do CCZ trabalhando em comunidades nos ramais e vicinais das rodovias AM-010 e BR – 174; e a zona urbana de Manaus nas zonas Norte, Sul, Leste e Oeste.
A etapa Rural Fluvial da campanha deste ano foi iniciada ainda no mês de abril, com o apoio das Unidades Básica de Saúde Fluvial (UBSF), quando foram imunizados 1.015 animais, sendo 770 cães e 245 gatos, em comunidades localizadas nas calhas dos rios Negro e Amazonas.
As etapas Rural Terrestre e Urbana serão realizadas no mesmo período, de 1º de setembro a 30 de novembro de 2026.
A Semsa, por meio do CCZ, executa a campanha anualmente para evitar a ocorrência de raiva entre cães e gatos, e, assim, reduzir o risco para a população humana, já que animais domésticos convivem de forma muito próxima com as pessoas.
Em Manaus, não há casos de raiva humana desde 1985. Já no Amazonas, os últimos registros de raiva humana foram em 2017, no município de Barcelos, onde ocorreram três casos, sendo que dois evoluíram para o óbito, com o animal agressor sendo um quiróptero (morcego).
A raiva é uma zoonose causada por um vírus que ataca o sistema nervoso central. Pode ser transmitida dos animais para o ser humano por meio de mordedura, arranhadura ou lambedura, quando ocorre o contato com a saliva de um animal infectado. Animais domésticos, como cães e gatos, e silvestres, em especial morcegos e macacos, são os principais transmissores.
Mesmo sem casos de raiva humana há mais de 40 anos, a Semsa mantém as ações de vigilância em Manaus. Ainda no ano passado, o município registrou um caso notificado de raiva em quiróptero não hematófago (morcego que não se alimenta de sangue), capturado pelo CCZ nas adjacências do bairro Centro (zona Sul), o que confirma que há circulação do vírus em Manaus.
A Semsa alerta que o risco é potencializado por ocorrências de casos de pessoas agredidas por morcegos em comunidades da zona rural e pelo fato da capital amazonense ser localizada próxima de região de mata densa, com a presença de primatas e morcegos, que são potenciais transmissores da doença.
Profilaxia
No caso de agressão por animais que são potenciais transmissores do vírus da raiva, a Semsa executa o programa de Profilaxia e Controle da Raiva Humana.
No caso de agressão por um animal, as medidas de profilaxia, que podem incluir a administração de vacina e soro antirrábico, têm como objetivo evitar que a pessoa desenvolva a doença, caso o animal esteja contaminado pelo vírus da raiva.
De acordo com a diretora de Vigilância Epidemiológica, Ambiental, Zoonoses e da Saúde do Trabalhador (Dvae/Semsa), Marinélia Ferreira, a rede municipal conta com 21 unidades de saúde de referência para a profilaxia antirrábica.
“Se uma pessoa for agredida por cão ou gato, seja por lambedura, arranhadura ou mordedura, é necessário lavar o local com água e sabão de forma imediata e em seguida procurar uma das Unidades de Saúde de referência, quando a equipe de saúde fará a avaliação. O paciente pode tanto receber a vacina ou o animal deverá ser observado por dez dias. Em alguns casos, é necessária a administração do soro antirrábico em uma unidade hospitalar”, explicou Marinélia Ferreira.
A diretora alertou que a população deve ficar atenta nos casos de agressão por animais domiciliados ou de rua, considerando o risco do animal ter sido contaminado com o vírus da raiva, e por animais silvestres.
“O mesmo cuidado deve ocorrer em caso de agressão por animal silvestre, como morcegos, macacos ou outros mamíferos, e mesmo em casos de suspeita de agressão. Se a pessoa, por exemplo, acordou e percebeu um morcego dentro do quarto, ela deve procurar uma Unidade de Saúde para ser avaliada por uma possível exposição”, destacou a diretora.
O programa de profilaxia também é direcionado para o atendimento de pessoas que precisam da profilaxia de pré-exposição, como alunos e profissionais da área de veterinária; e nos casos de reexposição, quando a pessoa tem uma nova exposição ao risco.
Em Manaus, de janeiro a julho de 2026, dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan/Ministério da Saúde) mostram que foram registrados 2.669 atendimentos do programa de profilaxia antirrábica. Nesse mesmo período do ano passado, o sistema aponta 5.265 atendimentos antirrábicos por agressão ou pré-exposição.

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Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa
Fotos – Divulgação/Semsa